Com testemunhos e depoimentos, 1º dia do encontro é marcado por chamado de fé
Depois de um diagnóstico de neoplasia maligna na região da barriga, Eleci passou por dois anos e meio de tratamento. Entre sessões de radioterapia e quimioterapia, fez transfusões de sangue e ficou de cadeira de rodas. Sem mais recursos na medicina, a irmã apelou a Jesus das Santas Chagas.
“Hoje estou aqui para dar meu testemunho. Ando, trabalho e estou muito feliz!”, comemora Eleci Aparecida Venuk, auxiliar de cozinha.
Com esse sentimento de gratidão que milhares de fiéis lotaram o Espaço Positivo, no Parque Barigui, em Curitiba (PR), neste sábado (28), primeiro dia do Retino Nacional da Associação Evangelizar é Preciso.
As apresentações começaram com Thiago Lopes e Carol Tormena, que foram seguidas das palavras do Padre Renato Redeson, o Padre Renatinho. Não demorou para a aguardada entrada do Padre Reginaldo Manzotti, que colocou em oração todos os desabrigados em Minas Gerais, Rio de Janeiro e vítimas de ataques no Oriente Médio. O sacerdote começou o primeiro dia do Retiro com uma convocatória para que todos reacendam a chama da fé, muitas vezes apagada pelos mais diversos motivos.
O sacerdote deu início a um momento de louvor com a canção “Meu Primeiro Amor”. A música fala sobre o resgate da fé, necessária para nos fortalecer nos momentos de maior desafio.
“Quantas vezes não caímos? Tropeçamos na nossa ignorância, fraqueza, mesquinhez, quanto isso nos causa de sofrimento? O sofrimento que vai vir é resultado de decisões erráticas nossas”, lembrou Padre Reginaldo Manzotti.
“Mas eu sei que estavas junto de mim… Essa é a segunda parte, é ela que queremos no Retiro”, entoou o sacerdote, que também comentou sobre aqueles momentos de fraqueza enfrentados no dia a dia.
“Você vai sair daqui incendiado pelo Espírito Santo em Deus e não há tempestade que apague a chama do amor em Deus”, comentou ao pedir arrependimento pelos pecados aos fiéis.
Durante o evento, o sacerdote explicou que a intenção durante o Retiro era fazer um diagnóstico da alma, para que ela seja curada das patologias.
“Muitos estão vindo de excesso de trabalho, viajaram, começando sábado cansados. Quando escutarem algumas coisas que provocarem calafrios, é onde Deus está pegando. Quando algo te tocar, deixe entrar”, pediu Padre Reginaldo Manzotti.

Foto: Felipe Gusso
Durante a palestra, o padre também cobrou mais atitude nas demonstrações de amor a Deus. “Se estamos aqui temos fé em Deus, temos aquele chama que ainda fumega, mas os dias são terríveis e se nossa chama estiver fraca, o mundo pode apagar” alertou.
“Deus diz ‘eu sei que você já aguentou muito nessa vida, mas você não me ama mais como antes’. Volte ao primeiro amor. Cuidado, não façamos as coisas para Deus, mas com Deus. Falta o primordial, sermos apaixonados como no início. Quando você se apaixonou por Jesus? Vamos buscar esse sentimento”, convocou.
O resgate da fé permeou toda a conversa entre o sacerdote e os fiéis. O rezar por hábito, o servir por obrigação e o sentimento de “funcionário do sagrado” foram duramente criticados.
“Se nos distanciamos de Deus, nos tornamos estranhos a Deus, não Deus conosco, eu com Deus”, pontuou.
“Isso também vale para amizades perdidas por falta de dedicação. O mesmo acontece com casais e na fé. Quando rezar não era uma obrigação, era uma necessidade. Quando nos tornamos pouco fervorosos? Onde esfriou a fé?”, questionou.
Padre Reginaldo Manzotti ressaltou que “muitos não pararam de rezar, mas pararam de amar. Muitos vão à igreja, mas perderam o encanto de ser católicos”.
“O primeiro amor não é cronológico, não é uma questão de tempo, ele serve para mostrar que fomos apaixonados. Temos que voltar a amar Deus. qual o maior mandamento? Amar a Deus sobre todas as coisas. Está faltando amor a Deus!”, apontou o sacerdote.
O Padre ainda fez um chamado para que os católicos se dediquem mais à leitura da bíblia e convocou os fiéis a visitar a Igreja em diferentes horários.
“Lucas, Capítulo 24, história dos discípulos de Emaús: como reacender, a alegria tinha acabado, a esperança que tinha morrido, Jesus se aproxima e começa a soprar, como quem acende uma brasa. A gente reacende a fé deixando o Espírito Santo soprar a brasa que ainda tem dentro de si. Divino Espírito Santo sopre a brasa que ainda há dentro de mim, eu sei, eu sei que esse sopro vem da tua palavra, dai-me a tua palavra e abrase meu coração”, conclamou.
A relação interesseira, de apenas pedir coisas também foi apontada como negativa pelo sacerdote.
“Somos pouco gratidão porque estamos doentes”, disse o padre.
Entre momentos de louvor e conversa com os fiéis, Reginaldo Manzotti defendeu algumas posições. Afirmou que “não é pecado apenas fazer o mal, mas deixar de fazer o bem e amar. Quantos filhos são ressentidos por sentirem falta do amor, do carinho?”, questionou e pediu que aos fiéis que voltem às práticas simples de caridade, da confissão, da leitura orante e da missa em devoção.
“Jesus continua sendo o mesmo. O primeiro amor é decisão, eu quero sair do Retiro incendiado em Jesus Cristo”, cativou.
Numa tarde inspirada, Padre Reginaldo Manzotti reforçou o discurso sobre a importância da fé que nos liga a Deus.
“Não é acreditar apenas que Deus existe, até os demônios acreditam. O que na tua vida mudou porque você acredita em Deus?”, questionou o padre, ao falar sobre a capacidade de transformar comportamentos para que as palavras não sejam diferentes das ações.
Outro ponto levantado por padre Reginaldo Manzotti foi a diferença entre a fé humana e a fé espiritual, que é a capacidade de crer, sem ver (Ef 2,8).
“Fé não tem a ver com inteligência, mas com adesão com os três verbos que falei ‘confiar, aderir, entregar-se’. Fé é aceitar Jesus Cristo”, reforçou.
O sacerdote lembrou da soberba das pessoas que se acham muito inteligentes para acreditar em Deus.
“Eu me acho tão importante que não admito que eu tenha que obedecer a um ser superior”, apontou.
O padre ainda falou sobre as contínuas guerras entre países, como no caso dos Estados Unidos e Israel que atacaram o Irã.
“Se antes era por territórios, hoje é pelo poder do petróleo e terras raras. Não é culpa de Deus quando um inocente morre. Não culpe Deus se dois países resolveram bombardear um terceiro e nós estamos à beira de uma terceira guerra mundial”, pontuou.

Foto: Felipe Gusso
Perda da fé é perigosa
Em meio a uma vida na qual estamos sempre com pressa e cheios de compromissos, o sacerdote lembrou que o cotidiano não pode sufocar a fé.
“A vida fica tão cheia de coisas que não há espaço para Deus”, alertou.
“Ninguém perde a fé como ataque cardíaco, é como anemia, vai se esvaindo aos poucos. Fé é uma planta não é um diamante, se não cuidar enfraquece, ela morre. Alimente, regue”, pediu.
Esse primeiro momento, foi encerrado pelo Padre Reginaldo Manzotti com mais um pedido:
“Se a fé é dom de Deus, dai-me Senhor essa fé. Se minha fé está fraca, aumentai minha fé, se está pequena, crescei a minha fé Senhor. Senhor, reacenda em mim a fé que tu mesmo plantaste, semeaste, que tu mesmo me deste!”
Como curar as feridas que apagam as chamas da fé?
De volta para o segundo momento deste primeiro dia, Padre Reginaldo Manzotti entoou o amor por Cristo e, mais uma vez, lembrou que com o cinza dos dias, as pessoas perdem a vibração de viver.
“Mas, Deus é especialista em ressuscitar pessoas, o fogo abrasador do seu amor! A melhor notícia é que Deus quer fazer isso em você hoje e em mim também”, começou.
Durante a palestra, o sacerdote citou o exemplo de Santa Teresa D’Avila, que diz ter passado 20 anos na “mediocridade espiritual”.
“Ela viveu uma batalha interior antes de uma grande virada. Queria Deus e o mundo”, contou.
“Temos que nos converter por contrição, que é o arrependimento de meus erros e profundo amor de Deus”, explicou Padre Reginaldo Manzotti, que ainda criticou os católicos que não levam a vida a sério.
“[Santa D’Avila] percebeu que a vida social a estava impedindo de ser religiosa. E o que está lhe impedindo de ser católico?” questionou.
“Eu não quero ser um católico medíocre”, pediu para que os fiéis repetissem.
Durante a conversa com os fiéis, Reginaldo Manzotti ainda discursou sobre a falta de resiliência para tolerar os desafios da vida.
“Não se pode fazer apenas o que agrada a si mesmo, é preciso ter resiliência para aceitar as experiências trazidas pela vida. A religião não é um buffet livre onde se come só o que quer. Tem que experimentar tudo, igual a quando nossos pais nos ensinam a comer o que tem na mesa”.
Entre os remédios para curar as chagas que apagam a fé, Padre Reginaldo Manzotti citou a pureza de coração, a humildade e a oração de petição.
“É preciso reconhecer que somos limitados, que precisamos de Deus, do Senhor. Para quem tem fé é necessária, para quem não tem fé, nenhuma explicação é possível, São Tomás de Aquino”.
A segunda palestra deste sábado até chegou a ser interrompida por uma rápida queda de energia, mas os fiéis mantiveram a vibração com muita devoção em cantos e rezas enquanto a energia era restabelecida.
Padre Reginaldo Manzotti ainda falou sobre algumas doenças, como o “Alzheimer espiritual”, para explicar como as pessoas se esquecem da simplicidade quando conquistam bem materiais.
“Se tem algo que estraga a fé, estraga as famílias é a esquizofrenia existencial, pessoas que levam vida dupla, hipocrisia. Petrificação espiritual, pessoas que se tornam máquinas, sem sentimentos, pequenos robôs do sagrado. Sentir-se imortal, cuidado, pessoas que não aceitam o que só outros fazem, só o que faço é bom. Se sentir indispensável, ninguém é indispensável, impressionante como se esquece fácil das pessoas, não se ache valioso demais. Excesso de ativismo, afundar-se no trabalho, esquecer Jesus. Tornar-se um contabilista da relação espiritual com deus, achar que porque faz, tem direito, isso estraga a fé, ou você entende que dízimo é gratidão, caridade é restituição da dignidade, não é paternalismo, ou perde o sentido de fazer. Rivalidade e vanglória, rixa não é de Deus, onde tem bagunça não tem Espírito Santo. Lembremos do Gênesis, havia paz, harmonia”, exemplificou o padre que também citou o materialismo, o puritanismo, a formação de panelinhas e o exibicionismo como pecados.
Esse segundo momento foi encerrado com mais louvor e oração pelos necessitados. A noite terminou com o testemunho dos fiéis, que falaram sobre graças alcançadas.
Domingo (1/3) tem mais!
A programação do segundo dia do Retiro Nacional começa às 9h com mais momentos de espiritualidade, palestra com Padre Reginaldo Manzotti e testemunhos de fé e graças alcançadas, além da Santa Missa.